
Por José Carlos Campos Velho
“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?”
Guimarães Rosa
O Movimento Slow Medicine tem um caráter disruptivo desde o seu início. O significado do termo disruptivo varia, mas ele é usado principalmente focando novas tecnologias que tem um caráter inovador, transformador ou mesmo revolucionário. O termo foi usado pela primeira vez por um professor de Harvard, Clayton M. Christensen, em um artigo, escrito com o professor Joseph Bower, na Harvard Business Review. O artigo se chamava Disruptive Technologies: Catching the Wave . O termo passou a ter aplicações mais amplas, inclusive dentro do pensamento médico contemporâneo. O Movimento Slow Medicine busca trazer novas idéias e concepções que contribuam positivamente para a prática de uma medicina Sóbria, Respeitosa e Justa. O olhar permanente sobre novos conceitos é um dos aspectos importantes desse Movimento que tem como um de seus objetivos refletir e pensar o fazer médico.
O artigo de Juan Gérvas e Mercedes Pérez Fernandez sobre Ternura Clínica traz um olhar bastante diverso acerca da atenção médica. Ternura clínica é, sem dúvida, uma expressão disruptiva. E tentaremos comentar algo a respeito deste belo artigo publicado em um blog na internet cujo link está disponibilizado acima para quem se interessar em lê-lo. E afirmamos que ler esse artigo é algo que provavelmente só enriquecerá a sua forma de enxergar a atenção em saúde. Os autores veem a medicina enquanto uma profissão profundamente enraizada dentro de uma perspectiva humana, que se espraia para além da ciência e da tecnologia.
Trata-se de uma tarefa difícil, complexa, árdua e desafiadora comentar este artigo. Gérvas e Mercedes, um casal de médicos espanhóis moldados pela prática da medicina de família, tem um pensamento que os coloca nos limites – ou um pouco além – da vanguarda do pensar médico. Polemistas, cada palavra que falam ou escrevem encontra repercussões entre seus pares, respeitados que são por seu pensamento singular. São ícones daqueles que os conhecem. Trabalham pela medicina pública, pela assistência universal e qualificada em saúde, tendo um olhar voltado para a comunidade e outro para o indivíduo – ou melhor, para a pessoa.
Porque Ternura Clínica não é um artigo para ser comentado, é um artigo para ser lido e relido. Quase uma espécie de Santo Graal do pensamento médico. Assim que li o título “ternura clínica”, fiquei completamente surpreso. Surpreso seria a palavra mais adequada? Não sei. Mas pude sentir que essa expressão trazia aos olhos, de uma maneira quase ofuscante, o significado humano do ato médico. Afirma que a ternura é o estado de ânimo que nos predispõe à ajuda, e que se trata do oposto da crueldade, da dureza, da frieza, da indiferença e da maldade. O artigo transpõe as fronteiras da linguagem médica. Dizer que ternura é expressão de uma espiritualidade que nos vincula a nós mesmos enquanto seres humanos e ao outro, seja ele paciente, colega, familiar ou alguém que seja nosso lado, traz a espiritualidade para o coração da prática médica . Não se trata de espiritualidade concebida como algo transcendente, mas algo de concreto, vital, pulsante. Compaixão como expressão de um sentimento e não de um conhecimento; Cortesia, representando reconhecimento das particularidades de cada um – e não uma forma de construir barreiras. Enxergar a Piedade com uma maneira de reconhecer o impacto do sofrimento no paciente e em seus familiares, é deixar-se penetrar pela dor sentida pelo outro e perceber o pedido de ajuda que ali ecoa. Antes de citar exemplos de ternura clínica, os autores afirmam que o médico que trabalha com ternura, sem se dar conta, coloca um bom cimento que liga suas decisões clínicas às expectativas dos pacientes e, por consequência, tem maior probabilidade de êxito terapêutico. Sim , é um exemplo de ternura clínica quando uma menina de 5 anos diz durante a consulta, “quando eu crescer, também quero ser médica”. Como afirmei, é um artigo para ser lido e não comentado. Aqui, o oferecemos como se fosse um copo de água fresca e límpida para quem tem sede. Creio que não restam muitas opções senão mergulhar neste oceano de ternura. O resultado que podes obter vale mais do que ouro; no mínimo que o poderá ter em mãos é a ternura em sua forma mais genuína. E perceberás que, ao final do artigo, estarás um pouco mais rico – uma riqueza que não é deste mundo. Como afirmam os autores, Ternura é algo para valentes.
José Carlos Campos Velho é médico geriatra, professor de Semiologia na Universidade Franciscana (UFN – Santa Maria, RS) e colaborador do Movimento Slow Medicine Brasil.
Obs: a gravura que ilustra o post é de Oswaldo Guayasamin, pintor equatoriano. É a mesma gravura que ilustra a publicação espanhola do artigo, no blog de Rafael Bravo Toledo.
Penso que o termo “Ternura Clinica” não seja apenas uma expressão gramatical, poética ou médica. Ela é um movimento que se inicia no coração,no interior, e que, no exterior, vai em busca de colocar-se no lugar do outro, seja paciente ou não, para satisfazer todos os seus anseios e necessidades. Julgo ser exatamente esse o sentimento ensinado por Jesus Cristo e que as Escrituras chamam de misericórdia, compaixão (miseri=miséria; cardia= coração), que nada mais é que colocar o coração no lugar do outro, na necessidade do outro, na aflição do outro. Só assim nos envolveremos de forma completa e poderemos praticar uma medicina integral onde conhecimento e sentimento se misturam e se somam para tornar a condição do outro melhor. Wylliam Franco Villas Boas,medico cristão,anestesiologista.
Obrigado pelo pertinente comentário!
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